Sentado a olhar a rua de uma janela, vou deixando passar os dias soalheiros. Na rua la em baixo passam pessoas com os seus passos compassados, absortos de outro mundo que não este. Tal como eu nesta janela. Passam apressados e no que pensam? Na calma da minha vida vejo a pressa nas vidas delas.
Os seus pensamentos devem, muitas vezes, acompanhar essa cadência. Preocupados em resolver questões de tempo e como ocupá-lo ainda mais, tentando, assim, encontrar alguma coisa. Não há nada de errado com essa constante tentativa, se nela não se perde o que está mesmo ali ao lado.
As pessoas, pelo que vejo (e eu vejo muito bem), passam pelos dias a correr. De casa para o trabalho, do trabalho para buscar os miúdos num sítio qualquer...Quando se apercebem já jantaram um jantar cozinhado à pressa no meio de perguntas e respostas feitas da sala para a cozinha. E num piscar de olhos já se tem tudo pronto para amanhã repetirem um novo dia.
E nos intervalos dessas horas ocupadas, o que fica por dizer? Por ouvir? Por viver?
Amanhã, da minha janela, vou procurar por entre os passos compassados das pessoas.